Bate-papo: os letterings de Mel Cerri

Mel Cerri é uma designer brasileira que decidiu se dedicar a trabalhar com tipografia e letterings. Abaixo ela fala pra gente sobre os desafios encontrados pelo caminho e suas perspectivas. Saca só nosso bate-papo:
S7: Mel, eu vi que você se formou na ESPM, em que curso?
Mel: Sim, fiz publicidade e propaganda na ESPM SP / 2005 – 2008
S7: Hoje você trabalha apenas com tipografia? Você encontra/encontrou muitas dificuldades para trabalhar com esse foco?
Mel: Não, infelizmente ainda não consegui fazer a transição completa para lettering apenas. Eu ainda trabalho como designer a maior parte do meu tempo. Como eu passei a levar o lettering a sério há pouco mais de um ano, estou ainda desenvolvendo os contatos com diretores de arte, art buyers e outros potenciais clientes. Sobre as dificuldades relacionadas a isso, sim, vejo que o Brasil ainda tem muito a crescer no que se refere à valorização dos profissionais que trabalham com tipos, sejam eles do lettering, sejam type designers. Nos EUA, Europa e Australia, por exemplo, há uma cultura muito mais estabelecida de contratar artistas de lettering ou valorizar os profissionais que desenham fontes. Existem verdadeiras celebridades lá fora que vivem apenas de desenhar letrinhas :) Jessica Hische, Seb Lester, Martina Flor, Luke Lucas, Gemma O’Brien, etc. Mas isso é também uma oportunidade pra fazer crescer a apreciação para essa profissão aqui no Brasil.
S7: A quanto tempo você trabalha com tipografia e como surgiu esse desejo?
Mel: Há pouco mais de um ano. No final de 2014 eu fiz uma busca interior (rs) pra identificar o que eu amava fazer de verdade. Design não é tão fora assim da minha paixão, mas eu sabia que podia passar o meu tempo mais feliz fazendo alguma outra coisa. No começo de 2015 eu resolvi que ia levar o lettering a sério, porque até então eu só fazia isso como um passa-tempo, sem nenhum cuidado técnico, sem nenhuma aspiração de transformar aquilo em trabalho. Aí que eu comecei a estudar e aprender mais sobre a construção correta das letras, sobre como trabalhar o vetor pra ter desenhos mais refinados e bonitos, etc. Eu aprendi muito no começo de 2015. Aí do meio pro final do ano começaram a sair alguns trabalhos que eu gostei e reuni no meu site. Antes disso era tudo bem feio kkkkk.
S7: Como funciona teu processo criativo? É algo linear ou cada job acontece de uma forma?
Mel: Em geral os trabalhos acontecem da mesma forma. Eu pesquiso bastante sobre o tema e sobre o cliente, o que ele busca com o trabalho. Depois eu faço um brainstorm sozinha pra tentar colocar no papel tudo que me vier à cabeça e que possa estar relacionado ao tema. Deixo minha mente viajar bastante. Do brainstorm pode surgir um conceito legal, podem surgir idéias de elementos decorativos que podem entrar na arte junto com as letras, entre outras coisas. Depois eu faço uma pesquisa pelo estilo de lettering que eu queira usar. Vamos supor que seja um tema de terror, por exemplo. Eu vou buscar outras artes pelo mundo que tenham tipos góticos ou letras com spikes, coisas que me remetam ao tema. Dou uma boa olhada nisso tudo e deixo o caldo misturar na minha cabeça por pelo menos 1 dia (eu vejo que as boas idéias acontecem depois de um tempo em que eu deixo meu cérebro trabalhar todas as referências em segundo plano, quase de forma inconsciente). Depois disso eu faço 2 ou 3 rascunhos a lápis e envio para a aprovação do cliente. Selecionado um rascunho, eu parto para a finalização em vetor e para as possíveis revisões que o cliente venha a pedir. A arte final em vetor é o arquivo que vai para impressão.
S7: Que dica/conselho você daria pra quem está começando ou deseja trabalhar com lettering?
Mel: Tem muitos conselhos que eu daria e muitas coisas que eu mesma estou aprendendo. Talvez, se você me perguntar isso de novo, daqui a uns anos, eu tenha uma resposta diferente, rs. Vou te responder o que eu estou vivendo no momento e que pode se aplicar a qualquer pessoa tentando uma nova profissão: confie no seu taco. Muita gente vai te dizer o que você deve ou não deve fazer, quem você deve conhecer, quais erros não cometer, etc. Meu conselho seria: ouça àquilo que você julgar construtivo, mas na hora de decidir, siga sua própria voz, confie no seu próprio “instinto”. Criação é inspiração. É você saber colocar no papel aquilo que já vive dentro de você. Dê voz a isso e não deixe ninguém te dizer que o que deve ou não deve fazer. Não deixe os haters te tirarem do caminho.
Abaixo seguem alguns trabalhos da Mel, para ver mais e saber mais sobre ela basta visitar o site da designer.
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